Ele comprou as alianças. Escolheu um par de ouro branco. Sabia que era o que ela gostava. Amava-a como nunca, um amor que desabrochou nos últimos dias, de um jeito que ele jamais provara. Feliz da vida, embrulhou o presente com cuidado. E nessa hora teve a idéia. Iria assustá-la. Antes do grande pedido, um bom susto para que a surpresa ficasse ainda melhor. Terminaria tudo para depois revelar a brincadeira. Seria perfeito.
Esperou pela noite. Iriam se ver no local do primeiro encontro. Arrumou-se, guardou as alianças no bolso do casaco e saiu, sem conseguir disfarçar o sorriso.
Chegou ao bar, escolheu a mesma mesa da primeira vez. Minutos depois ela entrou, linda num vestido azul, talvez um pouco leve para o friozinho de junho. Beijou-a e esperou que se sentasse. Conversaram sobre acontecimentos recentes. Ele pediu um vinho, deixou-a tomar um pouco. Resolveu começar:
- Sabe, eu tenho um assunto meio desagradável para tratar...
- Sem rodeios, vá lá!
- Pois bem. Há dias venho querendo lhe dizer. Não consigo mais sentir a mesma coisa por você. Algo em mim mudou, não sou mais o mesmo, fico estranho ao seu lado.
- Sério?
- Sim. Passei a ver tudo com outros olhos. O nosso relacionamento. Não é aquilo que eu esperava, minhas expectativas eram outras. O que você acha?
- Eu me sinto aliviada. Não sabia como falar contigo, mas acho que você pode ser um bom amigo, não um namorado. Eu queria terminar, porém não sabia como fazê-lo sem te magoar...
Ele emudeceu. Podia ouvir o próprio coração.
- Ah... Bem... É... É isso... Melhor preservarmos uma bela amizade... A conta, garçom, por favor!
Despediu-se dela com um beijo no rosto. Não conseguia colocar a mão no bolso onde estavam as alianças, como se elas fossem escorpiões.
Andou a noite toda. Na manhã seguinte, odiando o mundo, vendeu os anéis a um “Compro Ouro” por um terço do que pagou. Gastou o dinheiro numa boate, com uma vodka barata e uma moça de nome Ábata, cujo passado ele preferiu não saber. Casou-se oito anos depois, mais por teimosia do que por amor.
Esperou pela noite. Iriam se ver no local do primeiro encontro. Arrumou-se, guardou as alianças no bolso do casaco e saiu, sem conseguir disfarçar o sorriso.
Chegou ao bar, escolheu a mesma mesa da primeira vez. Minutos depois ela entrou, linda num vestido azul, talvez um pouco leve para o friozinho de junho. Beijou-a e esperou que se sentasse. Conversaram sobre acontecimentos recentes. Ele pediu um vinho, deixou-a tomar um pouco. Resolveu começar:
- Sabe, eu tenho um assunto meio desagradável para tratar...
- Sem rodeios, vá lá!
- Pois bem. Há dias venho querendo lhe dizer. Não consigo mais sentir a mesma coisa por você. Algo em mim mudou, não sou mais o mesmo, fico estranho ao seu lado.
- Sério?
- Sim. Passei a ver tudo com outros olhos. O nosso relacionamento. Não é aquilo que eu esperava, minhas expectativas eram outras. O que você acha?
- Eu me sinto aliviada. Não sabia como falar contigo, mas acho que você pode ser um bom amigo, não um namorado. Eu queria terminar, porém não sabia como fazê-lo sem te magoar...
Ele emudeceu. Podia ouvir o próprio coração.
- Ah... Bem... É... É isso... Melhor preservarmos uma bela amizade... A conta, garçom, por favor!
Despediu-se dela com um beijo no rosto. Não conseguia colocar a mão no bolso onde estavam as alianças, como se elas fossem escorpiões.
Andou a noite toda. Na manhã seguinte, odiando o mundo, vendeu os anéis a um “Compro Ouro” por um terço do que pagou. Gastou o dinheiro numa boate, com uma vodka barata e uma moça de nome Ábata, cujo passado ele preferiu não saber. Casou-se oito anos depois, mais por teimosia do que por amor.



